Peça originalmente composta para piano, violino solo e orquestra de cordas; na sua versão final, foi depois arranjada para duo de piano e violino, e composta entre 1/8 e 16/10 de 2013, apresentando uma duração aproximada de 10 minutos.

Após um esboço preliminar de apresentação ao realizador, composto na versão original entre 1/8 e 18/8, procedi à composição da peça na sua instrumentação final, da qual resultaram duas versões:

  • 1ª versão: obra livre, autónoma, feita entre 26/8 e 1/10;
  • 2ª versão: partitura organizada entre 19 e 26/10, é a música que será, eventualmente, aproveitada para a curta-metragem;

Ambas as versões serão gravadas e compiladas num CD, por sugestão do realizador.

 

Em ambas as versões salientam-se quatro secções musicais características da obra, consideradas mais importantes:

 

  1. Tema do Homem com Chapéu (HcC) e as variações subsequentes: o tema do HcC é formado por uma linha melódica de 4 notas (Si b, Lá, Sol b, Fá), que auditivamente correspondem às primeiras 4 notas retrogradadas do tema principal do famoso poema sinfónico de Liszt “Héroïde Funèbre”; grande parte da música composta baseia-se neste tema, sendo que por vezes é dobrado pela mesma linha uma 4ª A abaixo;
  2. Ritmo mahleriano: A minha ideia em ter utilizado o ritmo irregular do 1º andamento da 9º sinfonia de Mahler vem da análise pessoal que Bernstein fez da obra. Pela altura da escrita da 9ª sinfonia, Mahler já sofria e tinha conhecimento da sua doença cardíaca. Segundo Bernstein, Mahler poderá ter escrito o seu próprio batimento cardíaco irregular neste ritmo, servindo como premonição da sua morte. Assim, ao interpretar o sentido e implicação da última cena da curta-metragem, percebi que podia utilizar esta ideia de premonição da morte ou sugestão da morte do Ricardo para este ritmo, presente nas partes de “suspense”,
  3. Sequência melódica dos meios-tons diatónicos (Mi/Fá e Si/Dó): Um dos propósitos iniciais desta música era torná-la complexa ao nível psicológico, usando um processo simples. Este foi um deles. Para a introdução de cenas ou nos períodos imediatamente anteriores ao aparecimento do HcC, inspirei-me no início do tema da famosa série “Twilight Zone”, utilizando os meios-tons diatónicos (Mi/Fá e Si/Dó), de uma forma repetitiva, ambígua e enervante;
  4. Derivação da sequência melódica dos meios-tons diatónicos (Láb, Sol, Dó#, Ré): Para acompanhar o tema do HcC, utilizei a derivação que mais me agradou a partir da sequência melódica referida no ponto 3, sendo igualmente usada da mesma forma repetitiva e enervante,

 

O uso específico do trítono nesta obra deve-se à atribuição maligna dada no período medieval, e porque é também um intervalo bastante utilizado em bandas sonoras para representar o Mal (ex: banda sonora do filme “Dracula” dos 1960s).

O clímax da obra é atingido na última cena, seguido de um natural repouso durante os créditos finais.