Obra escrita entre Janeiro e Maio de 2015 para o Grupo de Música de Contemporânea de Lisboa (GMCL), cuja duração se situa entre 15 a 17 minutos, com seguinte formação de instrumentos:

  •                 Flauta/Flauta em Sol
  •                 Clarinete baixo
  •                 Harpa
  •                 Violino
  •                 Viola
  •                 Violoncelo

 

Notas de programa

Primeiro andamento, Prelúdio

Serve de preâmbulo à obra, apresentando um carácter misterioso e hesitante no início, sempre na procura de um caminho. Só no final existe certeza que será possível seguir viagem para os restantes andamentos.

Este andamento está dividido em duas secções: a primeira remete ao esquema da exposição de uma fuga, onde cada um dos instrumentos apresenta o tema; a segunda secção é uma recapitulação do tema, repetido pela flauta duas vezes, com um acompanhamento ritmicamente mais complexo, terminando numa cadência.

Segundo andamento, Dança íntima

Aludindo a uma mistura de minueto e valsa, este andamento é estruturado na base de Minueto-Trio-Minueto Da Capo, com coda. As danças tradicionais típicas são aqui mascaradas com a troca de compassos insistente no Minueto.

A instrumentação do Minueto é um baixo na forma de passacaglia efectuado no violoncelo, acompanhado por comentários irónicos da harpa, passando nos restantes instrumentos uma melodia e “contra-melodia” que desafiam a pulsação e regularidade de uma “dança normal”.

O Trio assenta fundamentalmente na formação flauta-viola-harpa que entoam uma espanholada sarcástica, com intromissão dispersa do violino e clarinete baixo, antes de retomarem o Minueto.

Terceiro andamento, Burleska

O terceiro andamento é um scherzo que serve para libertar o humor dos músicos e do público, através de um tema dodecafónico com complexidades contrapontísticas e rítmicas, aliado a movimentos seguidos de paragens súbitas e citações indirectas (acorde da Sagração da Primavera e movimento de semi-colcheias da secção cadencial da Sonata Simples de Mozart), com um solo burlesco do clarinete baixo. A sonoridade de todo o grupo explode numa dose equilibrada entre o bom humor e o sarcástico.

Quarto andamento, Pastorale

Depois da tempestade humorística do andamento anterior, restabelece-se a bonança com este andamento cantabile e lento, de carácter bucólico. Estruturado em quatro secções principais com coda, destaca-se o tema principal na primeira e na terceira onde emparelham instrumentos de sopro (flauta em Sol-clarinete baixo) e de cordas (violino-violoncelo). A segunda secção é feita de acordes perfeitos maiores e menores, pretendendo sugerir um estado etéreo. Na quarta secção, o tema é apresentado na flauta em Sol, ouvindo-se noutro plano o canto de três pássaros, citados das obras de Ravel, Ma Mère L’Oye, e de Messiaen, Quatuor pour la fin du temps.

No seu todo, este andamento procura despertar em nós a imagem da Natureza.

Quinto andamento, Finale – deambulações sobre um tema

Para o final da obra é utilizada a forma de “um tema com variações”, como insinua o subtítulo. O tema foi reutilizado a partir de um outro já composto anteriormente para violino. O tema original sofre a sua primeira metamorfose na flauta, quase num modo recitativo operático. A entrada da viola dá-lhe um carácter dançante mefistofélico, seguido de uma curta passagem que introduz a variação executada pelo violoncelo num lamento cantabile. Sucede-se um scherzo sarcástico interpretado pelo clarinete baixo, seguido de uma “meia-cadência” da harpa, que introduz a última variação antes da coda, um presto com todos os movimentos do tema original acelerados antes da queda no tempo primo, com as últimas reminiscências no final da peça.